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Deputado tem mulher? Quem assistiu à  votação pela admissibilidade do impeachment da senhora presidenta do Brasil, ocorrida num domingo, dia 17 de abril de 2016, pôde entrar em í­ntimo contato com os três louvores que dão sustentação à moral cí­vico-religiosa brasileira. Louvor a Deus, primeiramente, à  pátria, em que pese que há dúvidas, e, por fim, à  famí­lia. E ´w neste último louvor que eu quero me deter um pouco.

A minha amostragem dos votos chega, no máximo, aos últimos 350 votos dos 513 possí­veis, a que assisti, quando pude verificar que dentre todas as invocações à  famí­lia, feitas, de preferência, pelos deputados a favor do impeachment, conta-se nos dedos da mão direita, salvo engano, a quantidade de deputados que, além de fazer o que quase todos fizeram, isto é, invocar os ascendentes (pais e avós) e/ou os descendentes (filhos e netos), referiram-se também à sua digní­ssima esposa. Os números me levam a crer que a maioria dos deputados ou não têm mulher, ou acham que para se constituir família não precisa de mulher. Desde que elas cumpram, óbvio, com seu papel de parideira. Neste caso, o que se viu no plenário foi a demonstração de que o que prevalece é a famí­lia patrimonial. Como nos os velhos tempos, quando a mulher não tinha direito à  herança, e era vendida mediante oferta de dote.

Hoje não me parece tão diferente, pelo menos pelo que se viu na arena política. A mulher continua tendo dificuldades em ocupar seus espaços. À despeito da lei de herança que a protege, o macho se comporta em relação à  mulher como se ela fosse um penduricalho vaginal nos momentos de diversão (dele), e penduricalho umbilical nos momentos de perpetuar o patrimônio (dele). E mesmo num momento especial como este, na grande festa da democracia, ocorrida naquele domingo, à mulher foi recusado qualquer protagonismo, sequer o de companheira. E mais. Uma festa em que se comemorava a defenestração de uma mulher, sí­mbolo, nos parece, de luta dura e inglória, luta esta a que está sujeito, diariamente, um número significativo de mulheres brasileiras. Deputado, como, talvez, uma boa parte dos homens brasileiros, não tem mulher. E nem pode ter presidenta.impeachtment

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13161570_256061018075571_1614175576_oO Analisador de Conteúdo é uma máquina poderosí­ssima, adquirida pela Assisto Porque Gosto para fazer análise de conteúdo de materiais diversos, de origem desconhecida.

Segundo a análise do Analisador, o pincel mostrado na foto acima pertenceu ao pintor desconhecido Jean-Jean Lefébre, morto em Paris, em agosto de 1898, às portas do Moulin Rouge. O pincel, hoje em exposição no Quai D’orsay, é alvo de curiosidades, sobre o qual se contam as mais estapafúrdias versões. No entanto, o Analisador traz para você a verdadeira versão dos fatos. Continue lendo “O PINCEL DE JEAN-JEAN”