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Por Leivison Silva

No mês de setembro, a Cia de Teatro Assisto Porque Gosto fará uma homenagem a um dos ícones da história do cinema, a inesquecível Greta Garbo. Publicaremos em nosso blog, toda sexta-feira, ao meio-dia, uma resenha sobre alguns dos principais títulos da filmografia da estrela sueca. Os escolhidos são Mata Hari (1931), Rainha Cristina (1933), Anna Karenina (1935) e Ninotchka (1939). E A Dama das Camélias (1936), resenha esta já disponível em nosso blog.

Nascida em 1905, em Estocolmo, na Suécia, como Greta Lovisa Gustafson, a grande atriz trágica começou sua carreira no cinema, no início da década de 1920, como comediante. No período em que estudou artes cênicas na Academia Real de Teatro Dramático, foi descoberta pelo cineasta finlandês Mauritz Stiller (1883-1928), seu mentor e segundo pai. O único filme dessa parceria, A Lenda de Gösta Berling (1924), chamou a atenção de Louis B. Mayer (1885-1957), dono da MGM à época, que os levou para Hollywood, em 1925, onde Garbo reinou absoluta por mais de dez anos, tornando-se uma das atrizes mais influentes de sua época.

Em 1941, devido ao fracasso de público e crítica de seu último filme, Duas Vezes Meu, e principalmente por motivos pessoais, Garbo decidiu abandonar definitivamente as telas. A partir de então, optou por não concorrer com o próprio mito, e até sua morte, em 1990, lutou bravamente por sua privacidade, fugindo dos holofotes, não dando aos curiosos a chance de se aproximarem. Criou, com isso, uma aura de mistério e especulações em torno de si, entrando para o imaginário coletivo como uma estrela enigmática e solitária.

Premiada duas vezes pela Associação dos Críticos de Cinema de Nova York, Greta Garbo foi indicada quatro vezes ao Oscar de Melhor Atriz, mas jamais recebeu a cobiçada estatueta. Somente em 1954, ela viria a receber da Academia um Oscar especial pelo conjunto da obra. Sua carreira foi relativamente curta, mas o suficiente para deixar sua imagem forte, bela e hipnótica gravada para sempre nos olhos deslumbrados do público, garantindo assim seu lugar entre as grandes lendas da história da sétima arte.

Agora resta-nos convidar os leitores espectadores a acompanharem as nossas resenhas semanais, e incentivamos desde já a assistirem aos belíssimos filmes onde a exuberante Greta Garbo nos presenteia com seu charme, empatia e atuações impecáveis.

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Por Antônio Roberto Gerin

Nos idos tempos de adolescência, eu também batia minha bolinha nos finais de semana. Jogava provavelmente bem na linha, mas era um pouco melhor como goleiro. E me lembro de um desses dias em que foi marcado um escanteio para o time adversário. Eu, como um gentil goleiro, fui até a várzea pegar a bola. A meio caminho de volta ao gol, eu devolvi a bola para o adversário, que já estava a postos para cobrar o escanteio. E cobrou imediatamente, tirando proveito de que eu ainda não havia chegado ao gol. Gol desguarnecido, pimba, gol! Para o adversário.

Falo disso, depois de tantos anos, ainda com raiva. Consigo resgatar o estranho sentimento de ter sido trapaceado. Enfim, meu futebol de várzea me apresentara, desde cedo, a cartilha da desonestidade.

O que se viu durante uma partida de futebol, dias atrás, em São Paulo, foi o jogador Rodrigo Caio, defensor do São Paulo Futebol Clube, time de imensa torcida e história, abordar o juiz para desfazer um equívoco de arbitragem. O juiz acabara de punir com cartão amarelo o atacante adversário, Jô, por ter ele feito um falta dura no goleiro. Quem se chocara na verdade com o goleiro, do próprio time, fora o zagueiro Rodrigo Caio. Alertado por este, o juiz desfez a punição e aplaudiu a atitude honesta do zagueiro do São Paulo. Desfazia-se, naquele instante, momentaneamente, a máxima vigente em nossa cultura de que o importante, acima de tudo, é levar vantagem. Provável o juiz de futebol nunca tivesse presenciado, ao longo de sua carreira, honestidade parecida. Enganar outrem com a omissão da verdade é um dos piores tipos de corrupção, porque é uma corrupção miudinha, difícil de perceber, difícil de provar, mas que trafega livremente no cotidiano das relações humanas, e vai, perigosamente, pervertendo estas relações.

Vamos a alguns exemplos. Você está dirigindo numa rodovia e passa por uma blitz. Provável um daqueles carros de polícia escondido atrás de uma árvore frondosa. Imediatamente você começa a dar luz alta, para avisar os motoristas, vindo na direção contrária, da presença da polícia. E estes motoristas sortudos logo agradecem a gentileza, devolvendo, frenéticos, outra luz alta. Você vai à padaria todo dia comprar pão e leite e, provável, não pede a nota fiscal. Compra uma melancia e não pede a nota fiscal. E acha que não é obrigação sua pedir. E o vendedor acha que, se você não pediu, ele não tem a obrigação de emitir. Avança sinal vermelho na última hora, já que ainda não houve tempo de o carro, parado no cruzamento adjacente, se pôr em marcha. Ou simplesmente compra, por um bom preço, notas fiscais frias para não pagar imposto de renda. Furar filas, então, é uma das nossas trapaças mais refinadas! Estas e outras inúmeras pequenas transgressões – nem tão pequenas assim! – fazem parte invisível da vida de quem acha que levar vantagem, utilizando-se de meios ilícitos, é apenas um sinal de esperteza, de inteligência privilegiada.

Somos todos herdeiros absolutos da máxima veiculada por uma propaganda de cigarro, propaganda antiga e já desconhecida da maioria das pessoas, cujo ator era justamente um famoso jogador de futebol, chamado Gérson. Ele ensinava, através da telinha da televisão, várias vezes ao dia, de forma primorosa, que o importante é levar vantagem. Por isso, o meu adversário de adolescência, ao cobrar o escanteio, sem que eu ainda tivesse chegado ao gol, estava aplicando a Lei de Gérson, onde se pressupõe que, para todo esperto tem que existir um bobo. E foi como me senti naquele dia da várzea. Um bobo. É por isso que tenho raiva dessa história até hoje. O bom mesmo é ser o esperto!

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Foto: Entre!
Foto: Entre!

Desde que comecei a trabalhar com teatro, uma das coisas que ouvi inúmeras vezes foi: não é fácil fazer teatro. Com o passar das semanas, das descobertas, isso foi ficando cada vez mais claro pra mim, porém, com uma diferença, a dificuldade alimenta a vontade de vencê-la.

Às vezes nos sentimos cansados diante de tanta correria, fazer teatro é mais que ensaio, mais que estudo, e quando você mesmo produz seu espetáculo, os dias parecem ter as horas diminuí­das. Daí­ vem a parte de divulgar seu espetáculo, mí­dias, cartazes e o cara a cara com o público, convidando-os para o espetáculo.

É um processo longo entre a escolha do Texto e a encenação no Palco. Talvez o público não tenha a dimensão de todo o trabalho que envolve a montagem de uma peça de teatro, que não basta ter um trabalho artí­stico bem acabado, tem que produzi-lo e vendê-lo.

Depois de passar por isso com nossas duas últimas peçaas, O Praquê do Marido e Vinho Tinto Seco, só posso dizer que é um processo realmente difí­cil, porém, degustar a peça no palco, dar vida ao personagem apaga qualquer dúvida de que vale a pena passar por tais dificuldades.

Todas as belas coisas, sejam nas artes, sejam por exemplo os vinhos, passam por uma sequência de trabalhos, até serem acabadas e servidas ao consumidor. Ontem nosso público bebeu a última taça de Vinho dessa nossa temporada, e foi um prazer servi-la, e foi divino degustá-la.