Publicado em Categorias Poesia

Você que me vê por acaso
Caminhando pela rua com pressa
Vestido com a roupa de trabalho
Não sabe o que passei por onde andei

Você que me vê por sua tela
Que desconfia do meu olhar desconfiado
Do meu dorso encurvado
Não sabe o que eu passei por onde andei

Não sabe quanta dor eu carreguei
Quanta lágrima eu guardei
Sem ter onde desaguar

Você que já torceu ou ainda torce
Pelo meu tropeço e má sorte
Não sabe quantas vezes já lutei, por onde andei

Você que me olha e que desdenha
Que me julga e me condena
Que não me ouve, não me entende
Não sabe o que eu senti por onde andei

Só eu sei a dor que me fez crescer
Só eu sei a dor que me faz morrer
E morro cada dia mais um pouco
Sem que possa perceber.

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Publicado em Categorias Poesia

Houve um tempo
Em que o coração
Deste poeta
Deu as costas
Para o amor

Triste, solitário
O coração machucado
Fechou suas portas
Para o mundo

Mas
Um beijo
Foi o bastante

Quando meus olhos
Se fecharam
E meus lábios
Tocaram os teus lábios

A rosa do amor
Em meio ao clima gélido
Que habitava meu coração
Ascendeu novamente

Um sorriso
Preencheu meu ser
E quando me dei conta
Ali estava ela
Minha amada
Razão da minha poesia.

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Um dia fui criança
Que corria, que brincava
Que sorria a inocência
Nas coisas simples do meu dia

Um dia fui criança e não sabia
Do mundo que me esperava
Enquanto crescia, crescia…

Tantas obrigações vieram
Com os números de minha idade
Tantos sonhos não cabiam
Nas páginas da minha agenda

Eu era uma criança
E não sabia
O mundo me cobrava e
Eu sofria, sofria

E então viver é ser pontual
Cumprir à risca o ritual
Acordar, correr, trabalhar
Correr, almoçar, correr
Trabalhar, correr, descansar

Então corria para viver
Vivia para correr
Corria para sempre trabalhar
E vivia trabalhando

Ai de mim um pequeno atraso
Ai de mim um erro repentino
Ai de mim reclamar das horas de
Trabalho, trabalho, trabalho…

Eu sou criança e não sabia
Que o trabalho acaba
Com nossa vida singela
E suga nosso tempo,
Nossa saúde
Até deixar-nos tão sós
Tão anônimos, tão sós…

Um dia irei morrer
Um dia perderei tudo
E me substituirão no trabalho
E serei esquecido
E tudo será em vão

E serei de novo criança
Que brinca no chão
Sem obrigação, sem exigência
Sem o que me tira a existência.

Alex Ribeiro