Publicado em Categorias Literatura, Poesia

Por Alex Ribeiro

De repente eu me atirei na vidraça
Os pedaços de vidro, e de mim, dilaceravam minha carne
E em meio a tanto sangue, tanta dor
Fui eu que fiquei catando os cacos
E sem nenhuma cerimônia
Como num ato justiceiro
Criou-se um veredito
E um réu.

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Interpretado por Alex Ribeiro

Há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei
que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí, quer acabar
comigo?
quer foder com minha
escrita?
quer arruinar a venda dos meus livros na
Europa?
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique
triste.
depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, e
você?

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Por Jackson Melo

Os dias já não são bons
A saudade
Me condenou ao exílio

A tristeza
Despedaça
O completo do meu ser

A cada dia que passa
Me esvazio
Da vontade de viver

Eu, que nem enchia
Os olhos…
Agora, qualquer desagrado
E uma cortina de lágrimas
Se estende de mim

Todos os dias
No meu despertar
Gloomy Sunday toca em minha cabeça
E eu me pergunto
‘Será que os anjos ficariam com raiva
Se eu me juntar a você?’