Publicado em Categorias Poesia

Todo coração é de vidro
Vidro fúlgido, vidro colorido
Enegrecido, protegido

Mas é um risco e um perigo
O transparente ainda vivo
Que deixa exposto
Pra todo mau gosto
Desprezar sua avidez

Há os que se quebram facilmente
Há os que se enrijecem
Há os que são conteúdo
Há os que são continente

Há o meu, o teu
Translúcido, pungido
Turvo, tardívago

Sístole e Diástole
Pulsante sentimento de vida
Oh, minha querida,
Cuide do meu coração
E da minha ferida.

Alex Ribeiro Lopes

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Na solidão
De minha casa
Onde somente os versos
Me acompanham
Você me vem

Teus cabelos negros
Trazem o brilho
Do sorriso
Que me abala

Enquanto caminho
Pros teus braços
Cada passo
Me leva ao paraíso

Seu toque
Calou meus lábios
Para que nenhuma palavra
Comprometa
O nosso momento
De prazer

O calor do teu corpo
Aquece o meu coração
E me envolve em teus
Braços

Os beijos
Trazem o apelo
De que a noite nunca se
Acabe

Mas, a noite
Se faz breve
E assim como tudo que é bom
Ela se vai

Na despedida
Te entrego um pedaço
Do meu peito
Olho em teus olhos
E você se vai

Para onde?
Quando volta?
Eu não sei.

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Por muito tempo eu quis
Mergulhar de cabeça no teu amor
Conversar contigo só pra ouvir a tua voz
Perder-me dentro do teu olhar

Por alguma razão eu pensei
Que fostes tu diferente
Iria receber meu coração
Com cuidado
Eu confiei em ti

Mas coração de poeta é suvenir
Que se coloca na estante
Exibes ao lado dos troféus de tua vida
Sem perceber nele as
Rachaduras
De um amor em vão

Pelas feridas do meu peito nu
Dolorosos caminhos da amargura
Um peso insuportável, eu sei
Faz-me pulsar com esforço a vida

No meu olho uma lágrima que não cai
Desejando partir para o estrangeiro
Ser migrante de mim
Abandonar o lar e as lembranças

Por fim essas grades douradas
Toda essa fantasia criada
Esse conto de amor reticente
Que eu não vacilaria em deixar
Se tu não tivesses cortado
Ferido de morte
As asas e os versos
O homem e o poeta.

Alex Ribeiro Lopes