Publicado em Categorias Poesia

Sentou-se à mesa
Pra mais uma poesia
Escrever

Encheu seu copo
Pra sua mente
Transbordar

Achou que seria
Só mais uma vez
Como de costume

Mas não foi tão fácil
Dessa vez

O gole da bebida
Já não trazia
O mesmo prazer…
Já não trazia
Prazer nenhum

A angústia
Preenchia seu coração
Até que ele se lembrará
De que já não era mais escravo
Da bebida

Que sua inspiração
Se personificou
Num anjo
Que habita a terra

Na mulher
Que se tornou
Sua musa inspiradora.

Jackson Melo

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É chegada a hora
Hora da partida

A vida
Já não tem sentido

Em meio a essa multidão
Nunca me senti
Tão só

As paixões
Maltrataram
Este coração
Até que não restassem
Mais amores

Me esgotei
De todo caminho
Percorrido

Aqui dessa sacada
Vejo o futuro
À minha espera

Vou de braços
Abertos
Para o último abraço

Não vou
Para os braços dos anjos
Apenas
Para a escuridão eterna
E o sossego de minha alma.

Jackson Melo

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O dia!
 
A pequena bailarina
Aquela de que todos falaram
Dias atrás repousou sobre mim
Os seus delicados olhos
 
O seu lábio foi tornando-se riso
Tão meigo, sincero e doce
Que num instinto arrebatador
Me vi sorrindo de volta
 
Mas minha boca perdeu-se das palavras
Meu rosto desajeitado denunciou
A timidez desse pobre homem que sou
 
Lá ela continua com os gestos suaves
E com os músculos rígidos
Na bruteza de sua dócil arte de encantar
 
Uma espécie de dama sublime
Um típico vagabundo arruaceiro
Que casal improvável e indizível
Dançando a melodia do desejo
 
Desejo, caros amigos,
Não respeita convenção social
Nem o ritmo da burocracia atual
Dos romances mornos e adolescentes
 
Parece ter origem noutros tempos
Onde o vagabundo, o poeta,
Era, de certo, o amante
Da primeira dama dos palcos
 
Fez-se noite!
 
No bar vai uma balada quente
No peito lava aguardente
Festa, brinde, gritos e urras
O poeta comanda a festa absorto
 
Ao canto, tímida, ela assiste
Aquele homem de bigode fino
Que além de morar no desejo dela
Entra no sentimento, num desaforo
 
Estopim!
Três ritmadas batidas!
 
Um riso que vai perdendo tônus
Um círculo se abre na multidão
É vermelha a cor da cena
Um homem está no chão
A música interrompida
O último verso não tem desfecho
O vagabundo, o herói,
É o poeta que morre no anonimato
Da sua última poesia
 
Uma mulher caminha delicada
Mas suas pernas tremem
Tamanha a emoção
Suas mãos se seguram quentes
Tamanho desejo, dor, e convicção
 
Não hei de entregar-me nunca
A um amor sem classe
Prefiro a tua morte, poeta,
A perder-me de desejo em teus braços.
 
Ah, aquele riso delicado…
Que convite inesperado
Pra esse encontro de desejo letal
 
Querida, saiba
Que a cada amor sufocado
Morre um poeta…
E um pedaço de nós.
 
Alex Ribeiro