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Por Alex Ribeiro

Macbeth é uma peça de William Shakespeare, escrita por volta de 1606. É uma das mais conhecidas obras do dramaturgo inglês e, com certeza, uma de suas obras primas. Apesar de ser uma de suas tragédias mais curtas, Macbeth é uma das peças mais montadas de Shakespeare, além de ter recebido inúmeras adaptações para o cinema. Seus dois personagens principais, Macbeth e Lady Macbeth, estão entre os mais cobiçados papeis do teatro, e já foram interpretados pelos mais diversos e grandiosos atores e atrizes. Recentemente, a Cia Brasiliense de Teatro levou um belo Macbeth aos palcos de Brasília, com direção de James Fensterseifer, no elenco André Amaro e Fernanda Cabral, ainda Abaetê Queiroz e Marcos Davi. Portanto, trata-se de uma obra teatral que sobrevive aos séculos devido à sua beleza artística e profundidade humana. Macbeth traz à cena dois pontos de tensão que são capazes de desencadear todos os tipos de tragédias. De um lado, vemos a tensão política, forças opostas se digladiando pelo trono, um reino que anseia por voltar ao equilíbrio, com a necessidade de se preservar a figura do rei; e, do outro lado, temos as dimensões psicológicas de Macbeth que fazem com que ele, ainda duque, atue para que seu desejo pessoal, o de se tornar rei, seja satisfeito a qualquer custo. O conflito está desenhado. Macbeth terá de violar muitos pactos políticos, e até pessoais, para ver seu desejo de ser rei atendido.

Logo no início da peça, após ter vencido uma importante batalha, Macbeth fora avisado por feiticeiras de que se tornaria rei, no futuro. Ao regressar para casa, ele narra à sua esposa, Lady Macbeth, o que ouvira das feiticeiras, e os dois se embevecem na sede de poder que deles toma conta. A partir daquele momento, eles não iriam mais esperar que a sorte fizesse com que o reino chegasse até Macbeth. Os dois iriam, eles mesmos, chegar até o trono. Por ocasião de seus feitos na guerra, Macbeth já se tornara o homem mais importante e poderoso da Escócia, depois do Rei Duncan. Não faltam muitos degraus para se chegar à coroa. É preciso, portanto, derramar sangue, mas, desta vez, não em guerra, e sim através de um golpe. E o rei, agora, não está mais vivo. O golpe tem o caráter ilusório de que o jogo político segue incólume aos olhos de quem vê, mas, aos olhos de quem enxerga, as mãos do golpista se revela ensanguentada. A tragédia dá mais um passo.

Após tramar e executar o assassinato de Duncan, Macbeth é coroado o rei da Escócia. Porém, o seu reinado é perturbado por uma inquietação que passaria a comandar suas bárbaras ações. Esta inquietação tem origem, também, na profecia das feiticeiras. Após aquela mesma batalha, onde Macbeth recebera o vaticínio de sua chegada ao trono, o seu amigo Banquo, companheiro de batalha, recebera também uma profecia. Banquo seria o pai de uma linhagem de muitos reis, enquanto Macbeth seria um rei sem linhagem. De amigo, Banquo passa a ser um perigo para o novo rei, afinal, segundo as profecias, os seus descendentes ocupariam o trono de Macbeth. Mais mortes ensanguentariam as mãos de Macbeth.

Mergulhado em tirania e loucura, causadas pelos assassinatos que cometera, Macbeth cai em profundo sofrimento. Seu poder vai ruindo conforme seus aliados o abandonam, e quanto mais se vê nessa situação, mais sangue jorra da sua tirania. Até que tudo seja interrompido por uma nova guerra. Após ter perdido toda a família numa chacina ordenada pelo já ensandecido rei, Macduff, aquele que notara o golpe do impostor, é quem vai dar fim ao sofrimento e tirania de Macbeth,. A ambição e a arrogância são o caminho para que a espada da vingança lhe tire a vida. É o fim de Macbeth, sem herdeiros ao trono.

Os Macbeths existem ainda hoje. Alguns caminham sossegados pelas calçadas, outros tramam conspirações nos passeios palacianos, outros ainda estão sentados em confortáveis cadeiras de gabinetes, seja num alto cargo de uma boa empresa, seja numa praça de três poderes. Eles continuam lá, tramando, executando, tiranizando. E vale lembrar que eles são inimigos do teatro. O são, pois o teatro revela o sangue, a espada e o assassino. O teatro joga luz sobre os conflitos mais subterrâneos em que as artimanhas humanas nos colocam. E é por isso que é preciso persegui-lo, desmantelá-lo, ridicularizá-lo. Mas, assim como a coroa, o teatro não é uma pessoa. É maior. Persigam os seus artistas, sufoquem-nos. Ainda assim, o teatro continuará lá, como um trono, até que os próximos artistas venham ocupá-lo.

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Por Alex Ribeiro

Rei Lear é uma peça de William Shakespeare, escrita entre 1605 e 1606, e uma das suas grandes tragédias. Ela foi a última peça encenada pelo consagrado ator Raul Cortez, antes que ele falecesse, em 2006. É, ao lado de Hamlet, uma das peças que mais se aproximam dos conflitos contemporâneos, por trazer em seu enredo temas como o amor familiar, a velhice e a morte. É considerada por muitos estudiosos uma das peças mais maduras e, talvez, uma das mais complexas, devido às características que Shakespeare construiu na dramaturgia do texto. O fato de Shakespeare ter mergulhado nas profundezas do seu herói trágico vai revelando facetas de Lear que nos deixam desnudos, ao olharmos para ele e vermos ali, refletidos, muitos dos nossos conflitos. Afinal, ter consciência de nossa finitude dá um outro significado para nossa vida. O amor seria tão importante se a morte não se aproximasse? Teríamos nós tanto medo de envelhecer se fôssemos infinitos? Essa sombra da morte parece agora ser aquilo que atormenta Lear. Um rei octogenário pode olhar para si mesmo e achar que não é mais possível manter sob seu cetro todo um reino. Que tal ceder o poder, com a condição de manter o prestígio? É uma pena que ele venha a descobrir, tardiamente, que poder e prestígio estão ligados a uma só coisa. A coroa.

Lear se apresenta como um rei déspota que durante muitos anos acumulou poder e prestígio. E isso parece um fardo, pois tamanha é a estranheza que causa no público ao ver um rei, ainda vivo, abrir mão do reinado e passá-lo às suas herdeiras. Assim ele inicia uma conversa com as três filhas, dizendo que dividirá entre elas o seu reino. Mas antes ele quer ouvir delas o quanto elas o amam. As duas primeiras, Goneril e Regane, bajulam nosso rei dizendo amá-lo de maneira incomparavelmente grande. Mas a terceira, Cordélia, não é capaz de mentir ao pai e revela seu amor genuíno, mas sem a bajulação das outras duas. O rei fica irado e deserda Cordélia. O reino será agora dividido apenas em duas partes.

Aí começa a jornada trágica do nosso rei. Com o poder em mãos, as duas filhas mais velhas arrancam tudo de seu pai, o séquito, o luxo, a guarda pessoal… Lear se vê um velho inútil e desconsiderado por elas. Ele abandona o palácio, vai caminhar à esmo, em busca de algo que nem ele mesmo sabe o que é. E chega a enlouquecer. Quando abandona tudo e se lança na tempestade, com a “cabeça descoberta”, vemos um Rei que, diante da adversidade, abre mão das suas exigências e parte para o desconhecido, para o obscuro, talvez tentando entender a si próprio e como chegara àquela situação. Muitas são as testemunhas de que o rei ancião chega a estar num estado de humilhação imensa. Isso é impensável para um rei! Mas esse foi o caminho necessário para que ele reconhecesse que o amor não vem da bajulação, como oferecido por suas filhas mais velhas, mas das palavras que dizem a verdade, como foram as palavras de Cordélia.

Há na peça muitas outras sutilezas, personagens e situações que transformam Rei Lear numa das obras primas de Shakespeare. Poderíamos abordar muitas outras facetas da história que vão, conforme a peça se desenrola, dando uma dimensão gigantesca à transformação pela qual Lear passa. Mas, aqui vamos nos ater à figura do bobo. Ele é o preferido de Lear, apesar de ser a figura mais baixa do palácio. Mas é ele, juntamente com Kent, quem permanece ao lado do rei no seu momento de maior desamparo. E com a sabedoria e a ousadia que caem à perfeição nos personagens marginalizados, o bobo vai revelando a Lear no que ele se tornara. Um rei que envelheceu antes de se tornar sábio. Só é possível a um bobo dizer isso a um rei, visto que, não sendo levado a sério, o bobo pode dizer a verdade sem que a fealdade de suas palavras seja sentida. Mas é claro que o rei irá sentir, mesmo que de uma forma sutil e diluída.

Pensar Lear hoje em dia nos coloca diante de um desafio. Não é fácil abrirmos mão de tudo aquilo que pensamos ser e sair em busca, numa solidão existencial, do nosso mais verdadeiro eu, nossa essência. Esse é o desfecho do nosso rei. Iludido pelo poder e pela ideia de si mesmo que criara, ele se vê totalmente arruinado. Só dois caminhos lhe restam. A conformação com a sua situação deplorável, ou a busca da verdade de si mesmo e o entendimento do seu erro trágico. Buscar nossa própria verdade é sempre um ato de coragem. É andar nu sob uma violenta tempestade. É o que faz Lear para tentar buscar a sabedoria que não lhe viera com os anos. Afinal, é muito difícil haver espaço para a sabedoria se olharmos somente para nossos umbigos.  Rei Lear, portanto, passa a ser um convite. Um inusitado convite a nos reconhecermos, a nos distanciarmos de nós mesmos para nos enxergarmos. Por isso também o teatro é muito importante, pois nos convida a olharmos ao redor para melhor apreendermos nossa essência. É um espelho, tanto individual quanto social. A partir daí é nossa responsabilidade escolher. Viver a condição deplorável a que nós mesmos nos colocamos. Ou ter a coragem de irmos em busca da mudança necessária.

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Por Antônio Roberto Gerin

George Bernard Shaw (1846-1950) é um dramaturgo irlandês que se transformou num feroz guardião da língua inglesa, sendo considerado o fundador do teatro moderno inglês. Eram tempos, final do século XIX, de mudanças importantes na forma de escrever e fazer teatro. Era uma escrita que flertava acintosamente com a realidade, recebendo total apoio das novas técnicas de encenação que foram surgindo à época. É perceptível a influência do realista Henrik Ibsen sobre Shaw. Afinal, Ibsen, dramaturgo norueguês, era tido como um dos grandes inovadores senão o maior nome da dramaturgia mundial na passagem do século XIX para o século XX. Esta influência viria fazer de Shaw um defensor do teatro didático. É necessário apresentar à sociedade uma ideia de mudança, sem o que o próprio teatro deixa de cumprir com sua função artística. Nascido de família pobre, pai alcoólatra e mãe de personalidade forte, artista ela própria, motivo que a levou a incentivar o filho a investir seu talento na arte da escrita, Bernard Shaw, aos vinte anos, mudou-se de Dublin para Londres, em busca de sucesso literário. Após inúmeras recusas de seus escritos, romances e crônicas, consegue, em 1885, aos vinte e nove anos, se inserir no mercado editorial. Desde então, as penúrias financeiras ficariam para trás, e Shaw iria exercer cada vez mais sua influência intelectual nos meios culturais londrinos. Detentor de uma soberba criatividade e absoluto domínio da língua inglesa, bastante afiada, além de socialista convicto, Shaw tem na hipocrisia das estratificadas classes sociais da era vitoriana seu alvo de ataque preferido. É neste contexto, de muita escrita e engajamento social, que, em 1913, Bernard Shaw lança um de seus mais importantes trabalhos, Pigmalião.

A famosa peça teatral Pigmalião não parte de uma ideia original. No entanto, isto não impediu que Shaw construísse uma obra original. O mote principal do texto vem de Metamorfoses, do poeta romano Ovídio, que se vale do mito de Pigmalião, rei de Chipre, obcecado escultor que, desiludido com as mulheres do seu reino, resolve esculpir para si a mulher perfeita. E a esculpe tão perfeita e tão bela que acaba se apaixonando pela sua estátua. Afrodite, a deusa da beleza e do amor, apiedando-se de Pigmalião, transforma a escultura em mulher, de carne e osso. Portanto, o que nasceu de uma idealização, torna-se realidade. Pigmalião de Ovídio casa-se com sua Galateia e com ela tem filhos.

Shaw, brilhantemente, cria seu próprio Pigmalião, o intragável, arrogante, preconceituoso, impetuoso e cômico professor Higgins. Henry Higgins se dedica ao estudo da língua inglesa, especializando-se em fonética, o que fez dele um profundo conhecedor dos dialetos universais. Esta extrema habilidade o leva, admiravelmente, através das falas de seus interlocutores ocasionais, a determinar, sem que o digam, o local de nascimento e origem de cada um deles.

O texto começa com o professor Higgins conhecendo, casualmente, à saída do teatro, uma florista, cuja horrível e tenebrosa dicção lhe chama a atenção. É com outro famoso foneticista, coronel Hugh Pickering, que ele próprio acabara de conhecer, também à saída do teatro, que Higgins faz uma aposta. Em seis meses, ele transformaria aquela pobre e inculta florista das ruas escuras de Londres em uma admirada dama da alta sociedade. Eliza Doolittle, este é o nome da florista, circularia pelos salões londrinos se passando por uma duquesa, sem que ninguém jamais desconfiasse das verdadeiras origens da moça. Aposta aceita pelo coronel Pickering, mãos à obra. O professor Higgins, mangas arregaçadas e com um humor infernal, começa a esculpir sua bela dama.

Há muitas discussões sobre como Bernard Shaw acabou por construir o enredo da peça. Evidente, ele não estava preocupado em formatar mais uma comédia romântica, mesmo que, ao longo do tempo, Broadway e Hollywood, através do belo musical My Fair Lady, tenham se esforçado para transformar o texto original em um conto de fadas. Para Shaw, interessava discutir a terrível estratificação sociocultural através da linguagem e dos comportamentos sociais dela decorrentes. É pela forma como as pessoas falam que passamos a catalogá-las socialmente. E mesmo que pessoas com educação precária e condição social inferior venham a melhorar de vida (o pai de Eliza), elas necessariamente vão se trair pela linguagem, o que as prenderão eternamente à sua origem pobre. O contrário também se faz verdadeiro. Mesmo que o rico se descuide da linguagem, isto não abalará sua posição social. Ele, afinal, nasceu rico, e este é um privilégio indissolúvel. O que Shaw tenta mostrar é que se pode esculpir o ser humano desde que ele próprio se idealize numa perspectiva superior e persiga esta idealização. Pois é. O ser humano pode, sim, idealizar seu destino. Esta é a ideia didática de Shaw. A ascensão social através da transformação pela linguagem. É a crença no poder transformador do ser humano, desde que ele obsessivamente se proponha a tal. É com esta obsessão que o professor Higgins ganha a aposta feita com o coronel Pickering. Ele de fato transforma a ignorante e estúpida florista Eliza Doolittle numa encantadora lady.

Só que há um detalhe, acima, que passa despercebido. A obsessão não é do professor, é da aluna. A despeito da aposta feita à porta do teatro, entre o professor Higgins e o coronel Pickering, foi Eliza quem, dias depois, vai procurar o professor Higgins com o objetivo (idealizado) de apurar a linguagem e poder assim sair das ruas e se empregar numa loja de flores. Este dado é importante por fazer notar a proposta social de Shaw, a de que o próprio ser humano é o idealizador do seu destino e que, portanto, não há, em princípio, portas fechadas para os sonhos.

Por que Bernard Shaw não se preocupou em unir o casal ao final da peça, quando Higgins tinha a seus pés a sua própria Galateia?

Diferente do mito de Pigmalião, Shaw constrói em Higgins um ser totalmente avesso ao amor. É um homem intelectualmente arrogante, impaciente com as fraquezas humanas, mesquinho com as misérias alheias, insensível a dores, atitudes estas que revelam nele uma infantil irresponsabilidade social. E mais. Higgins disfarça sua incapacidade de amar pela idealização que faz da mãe, a única mulher naturalmente dotada dos mais elevados atributos femininos. Ao prender Higgins à mãe, idealizando-a, transformando Higgins num empedernido solteirão como forma de disfarçar seu complexo de Édipo, Shaw afasta a possibilidade de um desejado final romântico.

E o contraponto do amor, em Eliza, também é verdadeiro. Ela, chocada, desde o início, com a personalidade agressiva e estúpida de Higgins, de um lado, e sendo, por outro lado, perseguida com cartas de amor pelo jovem e encantador (e pobre) Freddy, Eliza não está disposta, feito uma Mirandolina, a conquistar o homem Higgins. Finda a aposta, ela se pergunta o que fazer da vida, já que é impossível, nas atuais circunstâncias, voltar para as ruas e recomeçar a vender flores. Caberia a ela entrar no mercado de casamentos? É o que propõe Higgins. Qualquer um quer transformá-la numa rainha, diz ele, mordendo-se de ciúmes. No fundo, o que o professor Higgins quer é que ela continue morando com ele, cuidando da sua vida pessoal, como se uma secretária fosse, e, ao mesmo tempo, usufruindo das benesses sociais que um homem rico pode proporcionar a uma mulher, mesmo que com ela não queira absolutamente nada. Mas Eliza se recusa a voltar para a casa de Higgins, decidida que está a lutar por sua independência. A mulher já não tem no casamento a única forma de ascensão social, estes eram os ventos que sopravam na Londres das sufragistas. Afinal, Shaw tinha em Nora, a personagem feminina de Ibsen, a desculpa para fazer de Eliza uma mulher também independente. E Shaw o faz, com muito gosto e prazer. Para a infelicidade de Higgins.

Pigmalião pode não passar de uma comédia satírica, simples, rápida, mas é tão bem arquitetada, tão bem escrita, vai ao ponto em questões de relacionamentos e de sonhos, esta ilusão transformadora que carregamos dentro de nós, nos mostrando que quando idealizamos algo bom para nós já estaremos pelo menos afastando a ideia de impossibilidade, por estas e muitas razões, não à toa, o texto de Shaw acaba se transformando num grande clássico da literatura mundial. E que fique bem claro. A idealização de transformação é nossa, está em nós, não no outro. Diferente do que pensa o famigerado Higgins, não se esculpem seres humanos.

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