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Depois de uma longa espera no pá¡tio do hospital, Júlia descobriu que seu filho Pedro estava com uma grave doença e que seu tratamento seria intenso. A boa notícia é que seu filho ficaria bem.

O medo do doloroso processo de cura que se aproximava tomou conta de Júlia, que entrou em desespero assim que o médico deu a noticia.

Ricardo, que passava por ali, notou a situação da pobre moça e quis saber a razão. Assim que soube, abraçou-a e pediu que ela enxugasse as lágrimas e corresse abraçar o seu filho. E Ricardo contou a Júlia o motivo da sua comoção. Acabara de perder o filho recém-nascido e a esposa em parto de risco. Júlia ficou tocada. Ricardo disse que estava triste, mas que seu coração estava reconfortado, pois desde que ele soube do risco do parto, não mediu esforços para cuidar da esposa. Esteve sempre a seu lado. Tirou do bolso, então, um maço de cigarros e disse a Júlia que precisava fumar. Ela rapidamente ofereceu-lhe uma caixa de fósforos, ascendendo ela mesma o cigarro. Ele agradeceu e se despediu. Enquanto observava o rapaz indo embora, Júlia prometeu a si mesma que guardaria aquele palito de fósforo como um sinal de fé, até que seu filho superasse a doença. Mas, na saí­da do hospital, Júlia perdeu o palito, encontrado, depois, no bairro Santa Casa, em Passos/MG.

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Será que Dilma vai mesmo precisar tomar cicuta? Cicuta é um veneno fatal, utilizado na Grécia antiga, como forma de execução dos condenados à  morte. A personalidade mais famosa a ter bebido cicuta foi Sócrates, o filósofo. Não estamos aqui, óbvio, para fazer comparações entre Dilma e Sócrates. Quero apenas discorrer um pouco sobre a situação da democracia ateniense daquela época, e fazer um paralelo com a democracia brasileira de hoje.

Sócrates foi condenado à  morte por ameaçar a democracia ateniense. O que era ele? Um corrupto? Um conspirador? Um traidor? Não. Apenas um homem bem acima do seu tempo, cujo legado filosófico e humano percorreu os séculos e chegou até nós. Diante da condenação, Sócrates tinha a possibilidade de fugir de Atenas. Preferiu ficar e morrer “cicutado”. Com a seguinte justificativa. Foi condenado por um tribunal representativo (legal), e mesmo que a sentença esteja errada e seja absurda, tem-se que fazer cumprir a legalidade! Um suicida, já que podia fugir? Não creio. Ilustro um fato. General ateniense na sua juventude, após derrota em uma batalha, Sócrates bateu em retirada com os poucos soldados que lhe restaram vivos. Chegando a Atenas, foi julgado por não ter cumprido o costume, o de que os soldados vivos tinham que enterrar os soldados mortos. Deixá-los insepultos era crime. E Sócrates saiu-se com esta. Se ficássemos para enterrar nossos soldados, também morreríamos, e assim não haveria vivos para enterrar os mortos.

Nos próximos meses, o Senado, casa de mulheres e homens notadamente probos, terá que julgar Dilma. E não poderá cometer erro.

Em sessão do dia 12 de maio de 2016, foi aberto o processo de impeachment, com o afastamento da presidenta. Até aí­ tudo bem. Que se busque a verdade. Que verdade? A verdade das pedaladas. Pois é. Um lado diz que é crime, e aí­ se incluem juristas renomados. O outro lado diz que não é, e aí­ também se incluem juristas renomados. E agora? Se há dúvida, pode haver crime? Caberá ao senado tirar esta dúvida, e terá que fazê-lo com total precisão e justiça. Este é seu grande desafio, acabar com esta confusão atordoante do que é e do que não é. Se o senado provar que é, Dilma será destituí­da do cargo e o Brasil continuará sendo um paí­s com democracia. Se provar que pedalar não é crime, ela retornará à  presidência, e o Brasil continuará sendo um país com democracia.

Mas, e se o senado não chegar a verdade alguma, confirmando este imbróglio político-midiático-esquizofrênico que divide o paí­s? Bem. Neste caso, retornaremos à  Atenas de Sócrates, o Brasil destruirá o seu tempo de hoje, e Dilma, que não quis fugir (renunciar), ter que beber a cicuta.