Publicado em Categorias Poesia

Para que me serve a arte?

De que me adiantaram
Michelangelo, Rafael
Cervantes, Shakespeare, Rael
Chico, Ariano
Portinari, Clarice
Cora Coralina, Tarsila do Amaral?

Para que te serve a arte?

Quando foi que Nelson Rodrigues ou Dias Gomes
Dostoiévski, Picasso ou Raquel de Queiróz
Maria Bethânia, Gal, ou Elis
Quando foi que te mostraram
Nas suas vozes e versos
Nos seus cantos, gritos e cores
Aquilo que ninguém via
Mas que estava ali o tempo todo
Aquele absurdo divino
Tão humano
Que só Hamlet ou Édipo poderiam revelar

Ser ou não ser, essa é a arte?
Gritar sem medo, eis a arte!
Dizer amém na Capela Sistina?
Ser e estar num estado de poesia!

Ser artista é
Se confundir com a sua arte
E apesar de tudo,
Não nos deixar esquecer
Nunca
Da beleza e da mazela
Da nossa humanidade.

Alex Ribeiro Lopes

Publicado em Categorias Poesia

Hoje cedo
No raiar do dia
Antes mesmo
De os meus olhos
Se abrirem para o mundo
Senti o teu perfume

Meus lábios
Responderam
Com um sorriso

Assim que abertos
A primeira imagem
O teu sorriso
Que acenava para o meu
Em busca de um beijo

Os corpos
Despidos
Trocavam carinhos
Enquanto se uniam
Sob as cobertas

A paixão se fez presente
Exaltando o romance
E pulsando o coração
Dos amantes
Como se aquele
Fosse o nosso último momento
Momento
Do nosso amor.

Publicado em Categorias Bergman, Cinema

No mês de novembro, a Cia de Teatro Assisto Porque Gosto fará uma homenagem a um dos maiores diretores da história do cinema. Estamos falando de Ernst Ingmar Bergman que estaria, neste ano, 2018, completando cem anos (1918-2007). Publicaremos em nosso blog, durante cada semana de novembro, algumas resenhas dos principais títulos da filmografia do diretor sueco. Entendemos, ademais, que o teatro foi a escola artística de Bergman que, sem a experiência e o amor tirados dos palcos, talvez não tivesse nos oferecido tantas e tantas cenas antológicas, como a cena entre a mãe, Charlotte (Ingrid Bergman) e suas duas filhas, Eva (Liv Ullmann) e Helena (Lena Nyman), em Sonata de Outono, um exemplo acabado do que é saber desenhar com tamanha perfeição uma cena tão sensível quanto cruel. Ou a cena terrível entre pai e filho, em Sarabanda. E podemos falar também de alguns filmes do diretor, cujos ingredientes, de natureza teatral, são determinantes para a evolução dramática da narrativa, citando, neste caso, como exemplo, o icônico No Limiar da Vida. Enfim, Ingmar Bergman nos prova mais uma vez que o artista tem que ser antes de tudo um artesão, caso pretenda levar sua arte aos porões da alma humana. E nisto, Bergman foi o mestre dos mestres.

Portanto, trazendo do teatro ferramentas que vão ajudá-lo na prospecção da realidade psíquica do homem, Bergman se caracteriza pela sua obsessão em lidar com as questões existenciais que atormentam a alma humana. O dilema do silêncio de Deus seja talvez a temática que mais ocupa a filmografia de Bergman, principalmente nos seus primeiros tempos, culminando, no início da década de 1960, com a chamada Trilogia do Silêncio, composta pelos filmes Através de um Espelho, Luz de Inverno e O Silêncio. Ora, se Deus existe, por que ele silencia? Há também outros tormentos caros a Bergman, os terrenos, aqueles que ocupam o nosso dia a dia, como a velhice e suas frustrações, a morte, o sexo e a sensualidade, a opressão e a repressão, a maternidade, a solidão, as relações familiares permeadas de dores e desesperos, enfim, podemos ir elencando inúmeras facetas que compõem este mosaico fenomenal formado por mais de cinquenta produções cinematográficas ao longo de cinco décadas dedicadas ao cinema, tendo, por trás, no papel de eminência parda, sempre, o teatro, o que fez de Bergman um artista completo.

Vamos nos abster de aprofundar ideias e opiniões sobre a obra de Ingmar Bergman, pois traremos estas discussões em treze resenhas dos filmes escolhidos abaixo. São eles Monika e o Desejo (1953), O Sétimo Selo (1957), Morangos Silvestres (1957), No Limiar da Vida (1958), A Fonte da Donzela (1960), Luz de Inverno (1963), Persona (1966), A Hora do Lobo (1968), A Paixão de Ana (1969), Gritos e Sussurros (1972), Face a Face (1976), Sonata de Outono (1978) e Sarabanda (2004).

Antônio Roberto Gerin

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